Rodrigo Cohen
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Qual é o custo de viver correndo atrás de mais?

Resposta rápida

O custo é a própria vida. Quem vive só correndo atrás do próximo objetivo — mais dinheiro, mais status, mais coisa — costuma pagar com tempo, saúde, presença e relações. Você adia o viver pra um 'quando eu chegar lá' que nunca chega, porque sempre tem um próximo degrau. Ter ambição é bom; deixar ela roubar o presente é o erro caro que ninguém coloca na conta.

Rodrigo CohenRodrigo Cohen· Analista CNPI· 3 min de leitura· Atualizado em jun. de 2026

A gente vive numa cultura que aplaude a correria. Trabalhar mais, ganhar mais, ter mais. Ninguém te pergunta o preço disso — e tem um preço, alto, que não aparece em nenhum boleto. Deixa eu colocar essa conta na mesa, porque ela é a mais importante que existe.

A corrida sem linha de chegada

Tem uma armadilha na busca por "mais": ela não acaba. Você quer ganhar um valor. Ganha. Aí o suficiente vira o próximo valor. Você quer um carro. Compra. Aí o suficiente vira o próximo carro. Sempre tem um degrau acima, e a linha de chegada se move toda vez que você se aproxima.

Quem entra nessa corrida sem perceber acaba vivendo a vida inteira no "quando eu chegar lá eu vou..." — viajar, descansar, estar com a família, aproveitar. Mas o "lá" nunca chega, porque ele foi feito pra nunca chegar.

Definição
A esteira da insatisfação:

É o fenômeno de se acostumar rápido com cada conquista, de modo que ela para de satisfazer e você precisa de mais pra sentir o mesmo. Quem não percebe isso passa a vida correndo numa esteira: muito esforço, e a sensação de nunca sair do lugar.

O que você paga sem ver

A correria por mais não é de graça. Você paga, só que numa moeda que não dá pra recuperar depois:

Tempo. As horas que você trocou por trabalho e não voltam. O jantar que você perdeu, a fase do filho que passou, o momento que não vai se repetir.

Saúde. O corpo cobra a conta da pressa — no sono que faltou, no estresse que sobrou, na atenção que você não deu pra si mesmo.

Presença. Estar fisicamente num lugar com a cabeça em outro. Quantos momentos importantes você atravessou pensando no próximo objetivo, sem viver de verdade o que estava ali?

Essas perdas não aparecem em lugar nenhum na hora. Elas aparecem depois, quando não dá mais pra voltar. Esse é o custo invisível.

A diferença entre avançar e correr

Não me entenda errado: eu não estou pregando acomodação. Eu trabalho duro, construo, busco crescer. A questão não é parar — é a forma.

Avançar com sentido é diferente de correr no desespero. Avançar é saber pra onde você vai e por quê, e aproveitar o caminho enquanto constrói. Correr é fugir pra frente sem destino, adiando o viver pra sempre. Um te leva a algum lugar bom; o outro te consome no trajeto.

A conta que vale fazer

Toda decisão tem um custo. A gente é bom em calcular o custo em dinheiro, e péssimo em calcular o custo em vida. Antes da próxima vez que você for trocar uma noite, um fim de semana, uma presença por "mais um pouco", faz a pergunta certa: isso vale o que estou pagando?

Às vezes vale. Às vezes não. Mas só fazer a pergunta já muda tudo, porque tira você do piloto automático da correria. O dinheiro é meio, não fim — e a vida que você está adiando é a única que você tem. Não dá pra recomprar tempo. Então gasta ele no que realmente importa.

Perguntas frequentes

Ter ambição é ruim?

Não. Ambição saudável move, faz crescer e construir. O problema é quando ela vira pressa permanente, que adia a vida para um futuro que nunca chega e cobra o preço em tempo, saúde e relações.

Como saber se estou correndo demais?

Um sinal é nunca conseguir aproveitar o que já conquistou, porque já está mirando o próximo objetivo. Se nada nunca é suficiente e o presente está sempre adiado, vale parar e repensar.

Parar de correr é se acomodar?

Não. É trocar a correria sem fim por um avanço com sentido — saber pra onde vai e por quê, aproveitando o caminho em vez de só sofrer por ele. Dá pra construir muito sem deixar a vida passar.

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Rodrigo Cohen

Trader profissional há 17 anos, engenheiro e analista CNPI. Embaixador da B3 e do Santander. Pioneiro em automação no Brasil desde 2012.

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